O Dia Seguinte

Na manhã do dia 19 de julho (segunda-feira), acordei pensando na rosa mais linda que já encontrei, comentei com minha então namorada que havia sonhado com a Ana, e a reação dela foi indiferente, como se não se importasse com a possibilidade de eu estar me interessando por outra pessoa.

Fomos trabalhar e logo que chegamos na empresa liguei para minha rosa, pois queria ouvir sua vóz e dizer-lhe que havia sonhado com ela, conversamos por alguns minutos e desligamos na ansia de nos declararmos, é claro que ela me deixou super curiosa, pois disse que tinha algo a me dizer, mas que não poderia dizê-lo naquele momento.

Parecia que a manhã não passava nunca, então quando tive uma folga, entrei na Internet e mandei-lhe um e-mail com as seguintes palavras:

"Ana, você é muito especial, gostaria de poder estar sempre perto de você, mas se isso não é possível gostaria que soubesse que gosto muito de você.
Você sabe a diferença entre paixão, amor e amor platônico?
Bem paixão é aquele sentimento que nos enlouquece, mas que logo passa, amor é o sentimento duradouro, que por mais que estivermos distantes estamos sempre desejando a felicidade de quem amamos, e o amor platônico é quando amamos alguém que não podemos tocar, e que por mais próximos que estejamos do ser amado, não temos coragem de tocá-lo para não quebrar o encanto, mas esse amor também é duradouro.
O que eu sinto por você é amor, mas já que não poderei tocar-lhe, você sempre será meu amor platônico.

Após o almoço, era aproximadamente 14:00hs, o telefone tocou, eu estava em outra sala quando minha namorada me chamou dizendo que a Ana queria falar comigo.

Atendi o telefone com um enorme frio na barriga e as pernas trêmulas, e quando disse alô, a ouvi dizer o seguinte:

- Posso saber o que significa esse e-mail?
Naquele momento eu não podia dizer-lhe nada, afinal minha namorada estava do meu lado, então respondi:
- Exatamente o que você entendeu!
Houve um longo silêncio, então ela disse:
- Lembra quando eu disse que tinha algo a lher dizer? E lembra que eu te disse que quando eu quero algo e não tenho coragem de pedir ou tenho vergonha eu peço um copo d'água?
- Claro que lembro!! O que você tem pra me dizer, estou curiosa?
- Quando você me pediu um abraço e eu te pedi um copo d'água, foi para não te pedir um beijo!!
Meu coração começou a bater forte e descompassado.
- Porque você não me pediu o beijo, se quando te pedi o abraço tambem foi para não te pedir um beijo??!!
- Por respeito a você, por respeito a sua namorada e tambem por respeito a sua casa. Mas porque você também não pediu um beijo?
- Porque não podia trair a Kátia, por ter medo da sua reação, por te respeitar, e também porque beijo agente não pede, agente rouba!!
- Ah! Então é assim???...

Continuamos a conversar por alguns minutos, mas não resolvemos nada, e acabamos deixando tudo no ar.

Naquela noite quando chegamos em casa, minha namorada começou com algumas insinuações e dizia pra minha mãe que estava tudo acabado entre nós, eu não estava entendendo o que ela estava fazendo, ou onde ela estava querendo chegar, então fui pra minha casa que era nos fundos da casa de minha mãe, e fiquei por lá, pois não queria brigar com a Kátia e nem seder as suas provocações.

Então eu estava deitada de bruços na cama abraçada ao travesseiro, e chorando pois já não sabia o que fazer, não sabia se deveria continuar com ela ou lutar para conquistar o coração da Ana. Ela entrou no quarto e disse:
- Cris não chora, você deve seguir seu coração e ficar com a Ana, pois ela sim te ama, e te ama muito mais do que eu, ela merece seu amor mais do que eu.
Não entendi nada, mas ela prosseguiu:
- Você merece ser feliz, e eu não sei se poderei te fazer feliz como você merece, mas a Ana pode, então fique com ela.
- Como você pode ter tanta certeza assim, afinal nem eu posso ter essa certeza ainda!
- Cris nós vamos continuar sendo amigas, agora vamos ser como irmãs, você é a única familia que eu tenho, então podemos ser irmãs e amigas, entre nós não pode existir mais nada, porque eu também estou muito confusa, e não sei mais o que quero, então seja feliz, vou torcer por vocês!!

Como sou uma manteiga derretida, chorrei muito, mas concordei com suas palavras.

Naquela noite eu estava com o carro de uma amiga e havia marcado de ir buscar sua irmã no trabalho pois ela estava doente, já era quase meia noite, enquanto a esperava fechar o carrinho de lanches, comecei a caminhar pela praça, havia uma leve brisa tocando minha face e senti uma vontade enorme de ligar para minha rosa e contar-lhe o que havia acontecido, mas estava muito tarde, então esperei o dia amanhecer.

Logo que chegamos no trabalho peguei o telefone e liguei-lhe para contar tudo, a princípio ela não acreditou muito, então passei o telefone para a Kátia que confirmou a separação.

Minha rosa ficou um pouco triste e preocupada, mas eu disse-lhe que não era para se sentir dessa forma porque eu não estava triste.

Nesse dia nos falamos várias vezes, e em uma delas ela disse que na verdade havia ficado feliz, e que então poderia me beijar quando sentisse vontade.

A partir de então começamos a namorar ao telefone, e ficamos nessa situação durante as duas semanas seguintes.

Em uma tarde eu estava na escola arrumando um computador e concentrada no que estava fazendo, quando de repende entrou um senhor perguntando por mim, ele estava com um lindo buquê de rosas vermelhas, fiquei assustada pois não imaginava que ela fizesse isso, comecei a tremer e meus olhos se encheram de lágrimas, peguei o telefone e liguei-lhe imediatamente para agradecer, e como se não bastasse o estado em que fiquei, ela ainda disse que eu merecia mais, e que as flores era só uma forma de me fazer feliz mesmo estando distante.

Senti uma vontade imensa de voar para seus braços, mas ainda não era o momento de nos reencontrarmos, então aguentamos a saudades pelos próximos dias.

Capítulo V - O Segundo Encontro

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